Deus EX: Mankind Divided – Análise

outubro 14, 2016
Categoria: Análise
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Deus EX: Mankind Divided – Análise

Enquanto eu jogava Deus Ex: Mankind Divided, pensei muito sobre a diferença entre um jogo “mediano” e um jogo excelente, ou até um “GOTY” (Game of the Year). Porque muitas vezes, uma simples crítica ou uma nota abaixo de 9/10 faz com que as pessoas pensem que um determinado jogo é ruim e não merece o seu tempo ou dinheiro.

E pensei isso exatamente porque Deus EX: MD me manteve empolgado do começo ao fim, sempre interessado na missão principal e nas missões secundárias, e com uma jogabilidade que pode não ser nova, mas com certeza está muito bem aperfeiçoada. Então vamos falar de Mankind Divided,

Esta é a sequência direta do excelente Deus Ex: Human Revolution, lançado em 2011 e – acreditem no tio João – até hoje merecedor das suas valiosas horas de diversão após um dia de trabalho. Ou talvez você não trabalhe, e fique em casa jogando videogame, mas mesmo assim, continua valendo a pena. E o interessante é que colocando os dois jogos lado a lado, pode parecer que a Square simplesmente repetiu a fórmula, criou uma nova história e pronto, jogo lançado. Sinceramente, este era o meu medo logo antes de jogar MD: eu havia finalizado o Human Revolution há poucos dias e achei que podia rolar uma certa “fadiga” da série.

Mas com o passar das horas, MD foi conquistando a minha atenção. Claramente, muitos aspectos do gameplay de HR se repetem, como o uso dos dutos de ventilação para invadir prédios, a possibilidade de abordar missões de maneiras diferentes (tanto no modo Rambo, quanto no modo “stealth” , por exemplo), as secretárias eletrônicas que relevam códigos de acesso, ou os emails que contam mais sobre a história de personagens. Mas aqui é onde vemos porque MD vai além de um jogo “mediano” ou que apenas repete os acertos do antecessor: todas estas mecânicas estão bem sincronizadas e apresentadas no jogo, e fazem com que o jogador realmente tenha o controle praticamente total de como vai completar as missões. E aproveitando, vamos falar sobre as missões.

deus-ex-combate

 

A história principal deste Deus Ex não pode não ser o seu grande forte; eu acredito que o jogo utiliza mal alguns clichês, por exemplo, mas mesmo assim é  interessante. Porém, com certeza é nas missões secundárias que o mundo de Adam Jensen (o protagonista) ganha seu brilho. Se você tiver a paciência de explorar a cidade à sua volta (e recomendo que o faça) com certeza vai ser recompensado com inúmeras informações que vão dando cor ao mundo de Deus Ex. Não são apenas os emails ou diários dos personagens, mas o próprio cenário é construído de maneira cuidadosa, sendo que alguns apartamentos são capazes de contar detalhes da jornada de um personagem apenas pela disposição dos elementos do cenário. Principalmente se o jogador tentar acessar as informações de maneira mais silenciosa (ou seja, não sair atirando em todo mundo) é possível acessar mais diálogos, descobrir a senha para computadores pessoais e inclusive encontrar salas secretas, cheias de informações, que podem passar completamente em branco dependendo de como você faz determinada missão. E este é um nível de cuidado que não vemos em muitos jogos hoje em dia: o mais comum é que os desenvolvedores encham seus jogos de missões secundárias sem significado, enquanto Deus Ex possui um numero limitado destas quests, porém cada uma pode tomar horas de jogo, com uma recompensa muito maior para o jogador que explorar bem os cenários e as possibilidades. Para coroar este nível de detalhe, o personagem ganha experiência por ações como encontrar partes do mapa, descobrir emails ou agendas dos personagens, hackear computadores e outras ações relacionadas à exploração do ambiente.

O sistema de evolução de Adam continua bem semelhante ao jogo anterior, porém com alguns novos poderes, que são colocados no contexto da história. Sinceramente não achei estes novos poderes tão úteis assim, exceto em momentos específicos, mas isto vai variar bastante conforme o jogador aborda as missões. Se for para um modo mais agressivo, por ex, com certeza alguns dos upgrades serão praticamente obrigatórios para sobreviver às batalhas e tiros. Mesmo assim, é bom que existam novidades no sistema de evolução do personagem, porque boa parte dos poderes de Adam são os mesmo de HR.

Tecnicamente o jogo é muito bonito, com pouquíssimos bugs visuais (joguei a versão de PS4) e, acredito, nenhum bug que impeça a progressão do jogo ( o único que eu tive, em um elevador que travava o jogo e fechava o programa, já foi corrigido). A trilha sonora acompanha bem o clima futurista “noir”, mas não chega a impressionar, sendo uma trilha mais “funcional”, que cumpre bem o seu papel.

Por fim, Mankind Divided executa de maneira extremamente competente a sua proposta. Traz na bagagem a excelência de Human Revolution, e pode parecer apenas uma versão “1.5” do sucesso de 2011; mas com certeza, sob um olhar mais atento, é um jogo que tem seu próprio brilho, com jogabilidade precisa, e detalhes que recompensam a atenção e a exploração de um mundo bem construído. MD prova que construir mapas gigantescos lotados de ícones com missões sem importância não é o caminho para fazer jogos melhores; a excelência dos detalhes colocados em cada uma das – entre aspas – poucas missões do jogo são recompensa muito maior para aqueles dispostos a explorá-las com olhos atentos; e é neste ponto em que ele deixa de ser um jogo mediano, para tornar-se um dos melhores de 2016 (até agora).

 

Altamente recomendado!

 


Trailer

 

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João Vicente

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