Grand Theft Auto V – Análise

 Todo ano, vemos vários “jogos mais esperados”. Mas com certeza GTA V foi o lançamento mais badalado, com propagandas em todos lugares, sendo reconhecido até por aquele amigo ou familar que nem mesmo joga videogames. O impacto econômico é impressionante, com número recorde de vendas em poucos dias, condizentes com o orçamento de grandes filmes utilizado na produção do jogo, que durou entre 4 à 5 anos.


  Antes de falar do jogo, gostaria de observar como é interessante que a Rockstar lance a continuação de sua maior franquia 5 anos após GTA IV. Nada de “milkar” (espremer) ao máximo o nome GTA, com jogos sem importância anuais. Nada de DLCs no primeiro dia, conta premium ou coisas do tipo. Um jogo single-player gigantesco, associado ao multiplayer promissor, no mesmo pacote, com um preço único. Ao meu ver, a Rockstar prova que não é necessário extorquir os jogadores para criar uma experiência excelente e mesmo assim, obter lucros gigantescos.
 
 
  Mas e o jogo em si, o que traz de novo? GTA V mostrou desde os primeiros anúncios a interessante proposta de controlarmos 3 protagonistas diferentes, cada um com sua história individual e que passam a encontrar-se no desenrolar do jogo. Michael, um ladrão de bancos aposentado; Franklin, o “gangster” do gueto, muito semelhante ao CJ de San Andreas, e Trevor um maluco psicopata drogado, ex-colega de “trabalho” de Michael. 
  Esta dinâmica entre os 3 personagens funciona muito bem, pois conforme GTA tornou-se maior, com sua cidade realista, e possibilidade de inúmeras horas de jogo, a troca entre os protagonistas impede que o jogador fique cansado de um personagem e suas falas, trejeitos, piadas e interações.
  Além disso, controlar 3 pessoas funciona muito bem nas missões de assalto, um dos pontos altos do jogo, e utilizado em dose correta, em que há uma fase de planejamento – junto ao NPC Lester, uma espécie de oráculo do grupo – uma fase para coletar equipamentos, veículos e coisas necessárias para a missão, e a execução propriamente dita. São muito divertidas, e eu passaria horas fazendo apenas estes roubos. Também é interessante porque são situações muito diferentes, ou seja, você não está sempre roubando bancos, ou joalheiras; há uma variedade de situações.
  
  A divisão das missões ocorre entre as principais, sempre marcadas no mapa com a inicial do personagem que a define (seja ele um dos protagonistas ou os NPCs, como Lester), missões de “Estranhos e desconhecidos”, definidas por um “?” incialmente, e depois com a letra do seu personagem; e o que eu chamo de objetivos terciários, que parecem ser aleatórios e aparecem como um ponto azul no mapa: são situações como um pequeno assalto, ou discussão de casal em que você pode interferir e ser recompensado. Gostaria de destacar a maneira inteligente como a Rockstar conectou estas pequenas missões terciárias à história principal: em certo momento eu salvei uma fugitiva da polícia, e ela então tornou-se uma opção de motorista de fuga nas minhas missões de assalto. Foi um evento aleatório, e eu poderia ter passado batido por ela, mas conectou-se muito bem com as missões principais.
 
 
 
 
  Los Santos, a cidade. Está gigante, com muitos detalhes, e parece ainda mais viva do que a cidade de GTA IV. Cheguei a pensar que era apenas um “mais do mesmo”, só que em maiores proporções, mas GTA V foi além. Talvez algumas destas coisas já estivessem presentes no “IV” mas é impressionante quando você para no sinal vermelho (sim, eu parei no vermelho, uma vez!), começa a cantar pneu e o carro ao lado aposta um racha e sai disparado! Esse tipo de ovo de páscoa está presente aos montes no jogo, e sinceramente acho excelente ter um jogo que eu posso ligar sem nenhum compromisso (principalmente agora que terminei a história principal) e, sei lá, pegar um BMX e fazer manobras no half-pipe da cidade. 
 
  Falando em história principal… fui direto para as missões primárias, pois imaginei que fazendo muitas missões secundárias eu quebraria o ritmo em que a trama é contada. Das poucas secundárias que fiz, não percebi grande influência na história principal, mas parece que faltam pedaços para conectar algumas missões; talvez seja a ordem em que fiz alguns objetivos, mas tive a sensação de uma história quebrada em certos momentos. Só para deixar claro, a história principal é bastante interessante, e bem divertida, mas esqueça algo muito “sério”: é o GTA de Vice City ou San Andreas, com situações absurdas e impossíveis.
 
  Há muito o que se explorar no jogo: cada personagem tem um celular próprio, com interface diferente, acesso à internet, possibilidade de customização (papel de parede e cor dos menus), camera fotográfica – o auto-retrato é demais – e a lista de contatos. Há novas maneiras de tunar seu carro e salvar diversos veículos em uma garagem na cidade, além daquela em sua casa. Foram incluídos os esportes tênis e golf, além dos dardos que continuam lá. Há também os clubes de strip, lojas de maconha, cinemas (com filmes de até 8 minutos!) e outras propriedades, que além de curtir, você pode adquirir – mas aviso que elas são caras.
 
  Evolução gráfica? Sim; GTA V leva o PS3 ao seu limite para um mundo aberto e colocando-o lado a lado com GTA IV a diferença é enorme. Não é o melhor gráfico já visto nos videogames, mas com certeza é excelente, principalmente considerando que o objetivo de GTA nunca foi demonstração gráfica.
 
 
  Ainda ha muito para explorar em Los Santos: no dia 01/10 começa o modo online, que promete ser impressionante, mas claro que queremos ver como os servidores da Rockstar vão segurar dezenas de milhões de jogadores querendo conectar no primeiro dia. Imagino que no máximo com alguns dias de teste “real”, e talvez uns patchs, teremos um jogo online estável o suficiente para explorar todas as possibilidades de um dos maiores lançamentos do ano.
 
  Não podemos esquecer da interação com o aplicativo iFruit: ele permite modificar seu carro, treinar o cachorro Chop, entrar no Lifeinvader (o análogo do Facebook no jogo) entre outras coisas, remotamente. Quando você chega em casa, é só ligar o game e as alterações realizadas acontecerão no jogo. A sincronização é feita através de login no Social Club da Rockstar.

 
 
  Concluindo, GTA V está pelo menos à altura de toda expectativa criada, e possivelmente até a supera. Ele vale o preço “cheio”, tem espaço para diversos estilos de jogo, desde o mais casual até o “hardcore”. É um pacote completo, e altamente recomendado!
 
PS: A versão brasileira vem completamente legendada em portugês, e o trabalho de localização ficou excelente!
 
 [VIDEO] Trailer de GTA V
 

2 respostas para “Grand Theft Auto V – Análise”

  1. Muito bom cara, realmente da vontade de jogar. Mas ainda estou completamente reviciado em Diablo para console e vou aproveitar a fase para não gastar com jogos tão cedo. Sabe como é tempo de vacas magras. hehehehe. Mas excelente matéria Jonny! parabéns.

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