INSIDE – ANÁLISE

julho 1, 2016
Categoria: Análise
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INSIDE – ANÁLISE

Escrever sobre e Inside sem falar muito de Limbo (2010) é impossível: o novo jogo da Playdead é o fruto de tudo que Arnt Jensen e sua equipe desenvolveram em um dos indies mais elogiados até hoje – do começo ao fim. Mas com certeza, Inside consegue ser mais do que um “Limbo 2.0″, pois tem sua prórpia identidade, suas próprias idéias, e felizmente continua a ser um produto muito pessoal da mente de Jensen.

Inside é um jogo minimalista, com trilhas sonora “acusmática”, e gráficos que destacam a física detalhada que o jogo utiliza para a movimentação do garoto e sua interação com o ambiente. Assim como no seu antecessor espiritual, temos um jogo de plataforma, como elementos de puzzle (leves, eu diria) onde é muito importante que os controles e movimentação do protagonista sejam fiéis, até prazerosos; afinal você passa 100% do tempo com o garoto na tela, controlando-o. Este aprimoramento técnico é fruto direto da produção de Limbo, onde um programador trabalhou exclusicamente nas mecânicas de controle do garoto-sem-nome (durante 3 anos, apenas nisto!).

limbo1             (Limbo)

 

Mas o interessante é pensar: aonde Inside nos leva após o seu antecessor? Agora, ao invés dos gráficos monocromáticos, tem mais cores e elementos na tela, o que serve perfeitamente à novos elementos apresentados em termos de história e jogabilidade, já que seria impossível representar determinados acontecimentos com os gráficos do primeiro jogo. A engine Unity foi utilizada com um primor técnico pela equipe, e a todo momento somos surpreendidos com detalhes belíssimos de luz e sombra, efeitos de água, cenários que parecem abrir-se conforme a câmera e iluminação são utilizados para dar novas perspectivas do que estamos enxergando. Um trabalho realmente admirável.

Em termos de som, o jogo possui uma trilha sonora discreta, que funciona muito mais como som ambiente, dando a impressão que ela quase não está lá. Mas não deixe-se enganar: os som são utilizados de forma dinâmica e muito inteligente, variando conforme sua movimentação no cenário e interação com objetos. Outra herança da produção detalhada de Limbo.

 

inside-game-playdead             (Inside)

 

E a história? Se você jogou Limbo, já sabe como a Playdead é minimalista e subjetiva em relação à este aspecto. No seu jogo anterior, muitos jogadores e analistas ficaram até “brabos” com a maneira aberta que o jogo termina, sem dar maiores explicações, mas eu considero este um dos grandes méritos de ambos os jogos. Inside tem, com certeza, uma espécie de “lore” um pouco mais profundo, exposta apenas através dos graficos e alguns elementos de jogabilidade, mas o jogo não faz nenhum esforço em explicar estas coisas – não há falas, textos ou algo do tipo. Como Limbo era muito simples e direto, muitos jogadores chegaram em conclusões bem próximas ao que foi pensado por Arnt Jensen (conforme o próprio admite em entrevista, “assustadoramente próximo”). Acredito que em Inside esta análise traz um desafio um pouco maior aos desbravadores do foruns e reddits – nos quais ainda não me aventurei) pois há mais elementos para se analizar, porém praticamente nenhuma explicação por parte do jogo. Só posso dizer que fico muito satisfeito, pois a Playdead manteve seu estilo, as intenções inicias de Jensen, e teremos muito material para discutir nos próximos dias / semanas!

 

inside-blogrolljpg-505b06_1280w             (Inside)

 

Conclusão: Inside é exatamente o que eu esperaria de um sucessor espiritual para Limbo, com algo a mais: seus desenvolvedores mostram um aprimoramento excelente em gráficos (o jogo é surpreendentemente lindo!), jogabilidade, música, e no clima misterioso que já conhecíamos. O novo jogo não é um puzzler “pesado”, e nem exige habilidade para sua parte de plataforma, mas consegue equilibrar estes elementos de uma maneira única e criar uma experiência que não vemos todos os dias. Altamente recomendado!

 

Inside foi lançado com exclusividade temporária para Xbox Live por R$39,90, e em breve chega dia 07/07 para Windows.

 

Trailer do jogo:

João Vicente

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