Pokemon Alpha Sapphire / Omega Ruby – Análise

fevereiro 3, 2015
Categoria: Análise
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Pokemon Alpha Sapphire / Omega Ruby – Análise

Finalmente estou de volta com as análises! Chegou a hora de tomar vergonha na cara e não só fechar os jogos, mas também escrever sobre eles. E a bola da vez é o último lançamento da série Pokemon: Alpha Sapphire e Omega Ruby. Este é o remake dos jogos Ruby e Sapphire, e foram lançados para o GameBoy Advance no ano de 2002 (Japão) e 2003 (Europa e EUA), e que agora recebem, além de novos gráficos, novas mecâncias e até uma quest “extra”, que acrescente fatores curiosos à mitologia da série.

Apesar de parecer que Pokemon não possui mais do que centenas de monstrinhos novos, muito parecidos com animais de um zoologico (ou com chaveiros o.O), ORAS (sigla usada para Omega Ruby/Alpha Sapphire) me fez repensar diversos aspectos da série que eu venho jogando desde Soulsilver – também um remake. A fórmula de Pokemon é tão bem estabelecida, e funciona tão bem, que não haveria porque fazer mudanças radicais num momento como este, em que temos jogos anuais vendendo no mínimo, muito bem. Mas nem sempre mudanças radicais são as mais importantes.

Vejam o DexNav, por exemplo. Com ele, você tem um radar que diz quando ainda faltam novos pokemons para capturar em uma determinada área do jogo, com uma rota, cidade, ou caverna. Além disso, quanto mais usado, mais ele pode te mostrar pokemons com caracteristicas melhores (como golpes diferentes e habilidades passivas), mesmo sendo um que você já tem na coleção. Na minha opinião, esta função corrige um dos maiores problemas do jogo, que era a falta de um “norte”, sobre o que exatamente fazer naquele mapa gigante além de enfrentar a Elite 4 e o tornar-se o campeão dos campeões. Já explico.

Pense em qualquer jogo que possui uma grande quest principal e varias quests secundarias: em Pokemon, sua quest principal é tornar-se o campeão (este é o evento de leva aos créditos finais), e diversas quests secundárias, mas uma delas é a mais chamativa: completar seu pokédex. Isto é o que o Porfessor Pokemon fala para voce em [quase] todos os jogos da série, e é visto por muitos jogadores como um grande objetivo, ainda mais hoje que temos 700+ pokemons. Mas o jogo possui diversas outras pequenas quests secundarias, como NPCs que querem trocar um pokemon especifico com você, ou pedem um determinado item, e por aí vai. E o meu problema sempre foi com o fato de que o jogo não tem uma maneira de destacar uma determinada quest, ou pelo menos de apontar para o jogador opções de lugares que ele deve explorar para, por exemplo, descobrir novos pokemons.

 

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Afinal, as batalhas são aleatórias, e até mesmo o cenário mais simples pode esconder um pokemon lendário, ou pelo menos mais incomum e muito forte. Mas por onde começar? Pela rota 101? Ou pela 117? Ou talvez pela 124?

É isto que o DexNav faz: ele te mostra uma dica, e você ainda tem um minigame para capturar o pokemon que está escondido, andando na ponta dos pés com o analógico do 3DS. Finalmente eu senti que a série fez um esforço para melhorar a experiência naquele que é o objetivo mais cobiçado pela maioria dos treinadores. Sem esta função, você teria que vagar por todo o cenario, torcendo para não estar perdendo tempo com uma região que não tem mais novos monstros para você capturar. (E eu sei que o Pokedex mostra a região em que alguns pokemons vivem, mas o DexNav é muito melhor do que isto). Por fim, eu comparo esta situação com um álbum de figurinhas onde não era possível ver a silhueta das figuras a serem coladas, apenas paginas em branco; o contorno dos pokemons na sua segunda tela é um estímulo imediato, e ele pode ser trocado pelo mapa ou outras funções do jogo, caso o jogador na queira ser incomodado pelo radar a todo o momento.

Outro destaque vai para a possibilidade de voar livremente por todo o mapa com um pokemon que você ganha como parte da historia, e não apenas com o golpe Fly como em outros jogos.

 

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Continuando.

Graficamente, ORAS usa a engine de Pokemon X/Y, que é bem interessante, apesar de que eu sou velho e às vezes sinto falta de um visual mais nostálgico, como foi em Black/White. Mas o que mais me intriga é o frame-rate (taxa de quadros / segundo) e o 3D. Sério Game Freak e Nintendo, ou faz o jogo em 3D, ou não faz! É o único jogo “grande” que eu conheço, que não consegue ter 3D durante o tempo todo. Fora que, quando você usa o efeito, o frame-rate cai ABSURDAMENTE. É algo muito perceptível, e irrita o suficiente para que eu deixe o 3D desligado quase sempre. Mesmo assim, muitas cenas de batalha possui taxa de quadros / segundo bem abaixo do aceitável, e só consigo pensar que este é o preço por se lançar um jogo por ano.

Quanto à história, ainda acho difícil levar a história dos jogos à sério, e isto não é obstáculo para continuar jogando. Seria muito melhor, obviamente, ter uma história de verdade, interessante e com personagens bem desenvolvidos, mas definitivamente este não é o objetivo de Pokemon. A trama de ORAS se passa em torno de uma organização que tenta ressuscitar um dos pokemon lendários para cumprir seus objetivos – em tese – nobres, como “purificar a humanidade” ou algo assim. O destaque fica para a quest que aparece após os creditos finais, que leva à teorias complexas sobre a existência de multiplos universos no mundo de Pokemon, e explicaria porque não temos mega-evolução em outros jogos da série (já que ORAS ainda deveria se passar muito antes de X/Y, por exemplo). Para aprofundar este assunto, recomendo o vídeo do Game Theorists.

Por fim, ORAS me parece um excelente jogo da franquia. É consistente, possui uma mecânica de side quests que evolui em relação à jogos anteriores, possui uma boa progressão de jogo (já que em X/Y o tempo de jogo entra cada ginásio era muito pequeno), e possui muito conteúdo para ser explorado mesmo após os créditos finais – como as bases secretas, que não explanei durante o texto. Talvez não seja um jogo fundamental, ou imperdível da de Pokemon, mas, definitivamente é um passo para a frente, e só posso esperar que as boas mudanças permaneçam nos próximos lançamentos da série.

Recomendo!

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João Vicente

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