Porquê eu não consigo largar Assassin’s Creed IV: Black Flag

Porquê eu não consigo largar Assassin’s Creed IV: Black Flag
 
  Subitamente, eu estou jogando horas e horas de AC IV: Black Flag. Porquê?
 
 Há alguns meses atrás, no final de 2013, a Ubisoft lançava o novo AC, uma série anual. Na época, eu prometi que não compraria este jogo, e possivelmente prometi também que não o jogaria. Porque o consumidor vota com o bolso, como dizemos por aí, e eu não queria votar em uma empresa que lança jogos anuais sacrificando a qualidade, como aconteceu, infelizmente, com AC III. Mas permitan-me contar esta história.

 

 Eu conheci a série AC no lançamento do primeiro jogo, pois na época já acompanhava as notícias e lançamentos de jogos. Quando chegou a hora de comprar meu PS3, passei pela lista de jogos, que na época ainda era pequena, e selecionei 3 ou 4 títulos. Na ocasião meus pais iam para os EUA, e aproveitei para comprar o console e alguns jogos.

 

 Na bagagem, veio o modelo “fat”  do PS3 (R.I.P.), CoD 4: MW e Assassin´s Creed. É quase desnecessário relembrar a empolgação com aquele trailer. E assim como CoD mudou o cenário dos FPS, AC escrevia seu capítulo entre os jogos do estilo “stealth” e ação. Coincidentemente, ambos tornaram-se séries anuais, sendo desenvolvidas por mais de um estúdio, e acabaram até virando [mau] exemplo da famosa “milkagem” praticada por alguns estúdios (a prática de lançar inúmeros jogos de uma série, com o objetivo de vender mais).

 

 Mas vamos acelerar as coisas para 2012: estava eu em São Paulo, em um período “sabático” (na real fiquei doente por uns meses e estava afastado do trabalho), e AC III tinha lançamento marcado para o fim do ano, em outubro ou novembro. Dentre meus jogos digitais no PS3, estavam AC II e AC: Brotherhood, que eu não havia jogado.

 

 Pois bem, antes de chegar o AC III, resolvi jogar aquele AC II… e que jogo, meus amigos. Que jogo. Além de gostar da história principal da série (com algumas ressalvas), todo os cenários, temáticas, e até as missões secundárias de AC II me empolgaram. Automaticamente ele entrou para minha lista de melhores jogos da geração.

 

 Eis que chega AC III (minha cópia atrasou, mas tudo bem), e eu coloco o disco no PS3, com toda empolgação do mundo. Mas infelizmente, na ocasião a Ubisoft me decepcionou profundamente: diversos bugs, alguns forçando-me a reiniciar o console, e apesar do começo empolgante com Nathan Kenway, o protagonista do jogo e sua história, não me empolgaram. Gostei muito, sim, do contexto histórico na guerra civil americana, ver e andar por Boston e NY do século XIX, e as novas mecânicas: caçar, pilotar navios, etc. No fim, o jogo não foi tãããão ruim, pois vieram os patches, alguns bugs melhoraram, e eu até repeti algumas missões para tentar 100%,  objetivo que não completei – e nem pretendo.

 

 Mas o gosto amargo de pagar aprox R$180,00 no jogo e receber um produto mal-acabado foi demais, e eu decidi não passar pela mesma experiência tão cedo. Tanto foi, que prometi não comprar (e talvez, nem jogar) Assassin´s Creed IV. Dessa vez você não me pega, Ubisoft!

 

Mas, o tempo passa, as coisas mudam, e chegou o dia de adquirir meu PlayStation 4, a tempo de jogar o novo Metal Gear V: Ground Zeroes (prática que mantenho desde o PS2, sempre adquirir o console ao lançamento do novo Metal Gear). E dentre as opções de jogos, poucas na época, não sobrou muito além de… Assassin´s Creed IV: Black Flag.

 

 Lá se foi minha promessa. Mas não joguei de imediato, pois outros jogos estavam na lista de “prioridades”.  Eis que quando resolvi colocar o disco no PS4, e explorar os mares do Oceano Atlântico, algo de diferente aconteceu: a história de Edward Kenway rapidamente me cativou, por desconstruir a história de um Assassino preso a um código de moral: afinal, Kenway segue a moral dos piratas! Mesmo utilizando mecanicas já introduzidas em AC III, como a caçada e navegação em alto mar, AC IV amplifica as possibilidades em um mundo onde elas fazem mais sentido, principalmente o uso dos navios.
 Se antes eu me sentia sufocado por missões em que o “stealth” não funcionavam tão bem, ou culpado por entrar em combate aberto com um personagem que deveria ser “invisível”, em Black Flag não há culpa ao enfretar seus inimigos de peito aberto, pois não há o peso do código dos assassinos sobre Kenway.

 

 E poucas coisas me fizeram pular da cadeira, e compartilhar videos, como a invasão de navios no papel de um pirata: engajar outras naus com os canhões, incapacitar um navio do império britânico, invadir e dominar sua tripulação. Isto tudo no meio de uma tempestade.

 

 Além disse, é possível caçar baleias e tubarões, mergulhar no fundo do oceano com a ajuda de um “diving bell” (algo que me deixou de boca aberta quando me dei conta que é totalmente possível, e alguém já deve ter feito esta loucura lá pelo século XVIII), dominar fortes, assaltar depósitos de suprimentos, aceitar contratos de assassinato… a lista continua.

 

 Mas enfim, se pensarmos bem AC III já oferecia muitas possibilidades… mas há algo sobre a afinação do jogo, que soou melhor em Black Flag. Em um jogo tão amplo, é muito importante saber apresentar suas diversas camadas da maneira correta, e no ritmo correto. Em alguns jogos de mundo aberto, quando muitos elementos são jogados de maneira desorganizada, fica a sensação de que estamos engolindo um enorme pedaço de bolo, com inúmeras camadas e ingredientes, tudo de uma vez só. Não há tempo para saborear, apenas a sensação de plenitude, e depois aquele mal-estar, por ter passado tantas horas fazendo diversas ações sem muito sentido. Mas em Black Flag, estes elementos são introduzidos em um ritmo agradável, e você pode abraçar aqueles que gosta, e abandonar outros que não gosta. Então, parece que é melhor comer um bolo menor, com menos ingredientes, mas saboreá-los vagarosamente.

 

 Há outros motivos para que Black Flag tenha me cativado, e recebido diversos elogios, como a temática dos piratas (bastante incomum em videogames, e muito rica), os belos gráficos, menor número de bugs – praticamente imperceptiveis na minha experiência – melhor aproveitamento e casamento das side quests com a temática principal do jogo. Quando terminá-lo, voltarei a escrever sobre a experiência completa, mas agora vou me retirar, para continuar evoluindo o Gralha, meu navio, enquanto descubro para onde os ventos levam Edward..
 

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