THE SWAPPER – ANÁLISE

  Eu sempre gostei da sensação de “garimpar” coisas novas, sejam álbuns de música, filmes ou jogos. Eventualmente, vou à uma loja de CDs local (especializada em rock / heavy metal) para tentar descobrir algo novo do jeito antigo: olhando as capas, conversando com o dono da loja, e ouvindo trechos das músicas. Como a forma de comprar / vender jogos mudou muito, também mudou a forma de descobrir jogos novos.

  Enfim, eu estava zapeando o Steam quando me deparei com The Swapper. O trailer imediatamente chamou minha atenção, e a temática sci-fi facilitou ainda mais a decisão, sempre com o empurrão das promoções do Steam. E acertei na compra.
  The Swapper é um puzzle-game, independende, criado pelo pequeno estúdio Finlandês

Facepalm Games. Com uma equipe de 4 (QUATRO!) pessoas, o jogo apresenta um protagonista que pode criar clones (no máximo 4) e trocar de consciência entre eles.  Ou seja, você pode criar um clone sobre uma plataforma antes inalcançável, e então passar o controle, ou corpo principal, para a cópia, e assim prosseguir. Importante notar que esta mecânica é muito bem utilizada, evolui com a progressão do jogo e com a dificuldade dos puzzles, lembrando a qualidade dos puzzles de Portal. Para isto, os cenários passam a apresentar luzes azul, vermelha entre outras, que alteram as capacidades da sua arma de criar clones, contribuindo para a complexidade dos quebra-cabeças. 

 
 
  Quanto ao enredo, trata-se de uma ficção futurista, onde a Terra tornou-se inabitável e os humanos procuram recursos em diversos planetas, até que encontram um novo tipo de metal em Chori V. Com o tempo, alguns acidentes (e até mortes) acontecem, e a equipe percebe que diversas pedras compostas deste novo material têm a capacidade de comunicar-se entre si. Lendo estes diálogos, e também encontrando terminais de memória ao longo do cenário, o jogador conhecerá os eventos que praticamente dizimaram a tripulação da estação Theseus e o deixaram praticamente sozinho, que é quando o jogo começa. Existe aí, uma grande discussão sobre humanidade, alma e consciência, pois o protagonista trocará inúmeras vezes de corpo, sendo impossivel não questionarmos e ele ainda é aquele ser que começou a aventura.
  O jogo criado inicialmente por dois estudantes universitários de Helsink, no seu tempo livre, possui uma das mais belas artes que eu vi recentemente: todos os cenários e objetos foram contruídos em argila, para então serem digitalizados e renderizados, criando gráficos que apresentam volume e respondem de maneira impressionante à iluminação. Para contribuir com o enredo, Olli Harjola e Otto Hantula recorreram à Tom Jubert, escritor que trabalhou no sucesso indie FTL

  A música ficou a cargo de Carlo Castellano e não ficou atrás da qualidade gráfica, contribuindo para o clima de isolamento do estação espacial, que é tão bela quanto solitária.

  
  O jogo possui um sistema de achievments interessante, baseado apenas na exploração dos cenários, estimulando o jogados a passar algumas horas a mais na estação espacial para descobrir salas secretas, onde há mais pedaços da história para desvendar. 
 
  Por fim, The Swapper é uma excelente surpresa, que reforça a importância dos jogos indie como a casa de excelentes novas idéias, mostrando que é possível fazer jogos criativos e belos ao mesmo tempo. Além de belos gráficos e trilha sonora, o jogador irá experimentar quebra-cabeças desafiadores e criativos, até deparar-se co um final que corresponde à aventura apresentada.
 
 

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