Zelda Completa 30 anos!

fevereiro 22, 2016
Categoria: Artigos
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Zelda Completa 30 anos!

  Uma das maiores invejas que eu tenho na vida é não ter sido um jogador da série Zelda desde o NES ou SNES. Já falei algumas vezes no nosso podcast, fui um “SEGA-boy”, e na época a gente jogava 1 console só, e defendia ele com unhas e dentes! Mas é quase impossível escapar à magia da Nintendo, e todo mundo conheceu os clássicos na locadora, na casa de um amigo, ou mesmo nos emuladores.

  Com meu crescente interesse por videogames, ficou claro que havia um abismo enorme a ser preenchido, e eram as aventuras de Link, Zelda, Ganon e outros;  a oportunidade surgiu tarde, mas eu estava pronto, como um bom herói do tempo. Ao ficar afastado do meu trabalho regular para tratamento médico, obviamente peguei aquela lista mental de jogos atrasados (incluindo Final Fantasy VII e Zelda: Ocarina of Time) e resolvi que era hora para colocar alguns clássicos em dia.

  O primeiro escolhido foi a obra suprema do Nintendo 64, um jogo que fundamentou diversos pilares do que conhecemos como aventura / exploração em 3 dimensões. Ocarina of Time envelheceu bem, porque seu design de jogo é forjado à perfeição: a sensação de estarmos nos aventurando pelo desconhecido, sempre com um montanha maior para superar à vista no horizonte, é a própria alma da série Zelda, conforme o próprio Myamoto declarou em entrevistas, ao revelar sua inspiração para o primeiro jogo da série – os passeios que ele fazia em um bosque ou floresta próximo de sua casa, no Japão. Lé, ele imaginava monstros, aventuras, donzelas, armas e magias. E esta magia é a chave para entendermos porque Zelda é tão importante e fundamental na história dos videogames.

  No primeiro jogo da série (The Legend Of Zelda – Famicon Disk System / NES), temos um dos primeiros mundos abertos, com o jogador sendo colocado em um ponto “zero” no mapa, e partir dali, com o mínimo de instruções, é estimulado a explorar o cenário com as próprias pernas. É quase inevitável encontrar a primeira caverna, e dentro dela um senhor, que entrega nossa primeira espada com frase “É perigoso ir sozinho: pegue isto”. Neste ponto as perguntas óbvias seriam para que lado ir ou “o que acontece se eu perder / morrer”. O que deve chamar atenção é exatamente a ausência de instruções, tutorias, textos na tela do jogo: Zelda confia na inteligência e curiosidade do jogador, sendo esta a única maneira de recebermos um feedback positivo dizendo que você conquistou algo por mérito próprio. E este é o sentimento que permeia todo o jogo: cada novo cenário traz dúvida e medo, mas somo recompensados com a satisfação da conquista, que pode ser simplesmente passar para a próxima tela, ou descobrir uma dungeon, e consequentemente novas aventuras e novos itens mágicos.

  Colocado em contexto histórico, chega a ser absurdo que Myamoto e sua equipe tenha pensado em um projeto tão audacioso no começo da década de 80: Mario mal havia nos ensinado a andar para a direita e pular em goombas, e o mesmo criador queria um mundo aberto, vivo, com o maior triunfo para um jogo de aventura: exploração e descoberta. Neste jogo, podíamos andar por todo o mapa quase sem restrições, entrar nas dungeons na ordem escolhida pelo jogador, decidir quais desafios queremos enfrentar antes ou depois: isto sim, leitores, é um mundo ABERTO, livre, pois o seu conceito mais fundamental não foi violado.

  Mesmo passando por mudanças nesta fórmula básica, Zelda continuou sendo uma referência para jogos de aventura. Zelda II é comumente chamado de “patinho feio” da série, mas também foi audacioso em sua época, trazendo uma tentativa de combate mais elaborado, sistema de level-up – inédito para a série – e inclusive variações entre dia e noite, com novos NPCs, diálogos e inimigos variando conforme a hora do dia.

A Link to the Past (já no SNES) faz um retorno às origens da série com sua câmera “top-down” e um mapa mais aberto para explorar, apesar de determinar arbitrariamente a ordem que completamos as dungeons (algo que me impressionou quando fechei ele pela primeira vez há 3 anos atrás, no SNES). Um aspecto memorável é a viagem para o Mundo Sombrio – com usa marcante trilha sonora, uma versão alternativa do mesmo mapa mundial, que praticamente duplica as possibilidades de exploração. É um clássico que não envelhece e eu recomendo à qualquer jogador que ainda não o tenha finalizado.

  A partir daí, continuei jogando outros jogos da série (não todos, ainda), e uma das melhores lembranças é de jogar A Link to the Past, sentado no chão da sala, em frente a uma TV de tubo, por tardes e tardes. Apesar de não ter sido na infância, esta memória ocupou um pequeno espaço vazio na minha mente, e é exatamente esta a magia da série Legend of Zelda: deixar “em branco”, propositalmente, espaços que são preenchidos pelos nossos medos, aventuras e sonhos. E no final, muito mais do que uma tela de “FIM” ou a conclusão de uma história, o que fica é a lembrança de uma jornada, onde passamos por situações de perigo e tensão, para então superá-las e sentir, por algumas horas que podemos ser especiais – cada um de nós, sentado em frente à TV, com o controle nas mãos.

  Obrigado Zelda, Link, Myamoto – hoje vocês fazem parte da minha infância.

João Vicente

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