BROTHERS: A TALE OF TWO SONS – ANÁLISE

Há pouco tempo atrás eu escrevi uma análise do jogo Rain. Muito do texto foi baseado na [minha] percepção de que ele segue a escola de Journey, e alguns outros indies de sucesso: uma premissa simples, “minimalista”, com foco maior na arte gráfica e musical, e explorando bem as “poucas” mecânicas apresentadas. Em Journey, você guia a personagem por um deserto, tem apenas a habilidade de pular ou voar rapidamente, e segue em direção à uma montanha distante. Já o protagonista de Rain deve perseguir uma misteriosa garota que só aparece na chuva, e ele mesmo utiliza este artifício para esconder-se de monstros, como se jogasse com luz e sombra.

  Mas então, e Brothers? Brothers coloca o jogador no comando de 2 personagens ao mesmo tempo, em um mesmo controle – um em cada analógico. Cada gatilho funciona como botão de ação para o irmão correspondente, e com apenas estes comandos você deve vencer os desafios do jogo. Por si esta mecânica é interessante e gera um número grande de possibilidades; resta saber como será utilizada.
 
  Os irmãos deparam-se com o pai doente, e o curandeiro de sua vila deixa claro que apenas a água de uma fonte especial pode curá-lo. Aqui, quero deixar claro que o jogo é falado em uma língua fictícia e não há legendas: cabe a jogador interpretar as imagens, o que é muito compatível com o conto de fadas que o compõe.
  Durante a jornada, obviamente os garotos deve cooperar para vencer obstáculos: alguns muito simples como dar “pezinho” para alcançar uma plataforma, e outros mais elaborados, como distrair um cachorro enquanto o outro irmão atravessa até um local seguro, alternando entre um e outro para vencer o trecho. E exatamente aqui está o ponto que me deixou em dúvida quanto à qualidade do jogo.
 
 
 
  Se for para classificar Brothers como “plataforma” ou “puzzle”, ele é um pouco dos dois, mas em dosagem pequena. Não há praticamente um grande desafio durante o percurso de aproximadamente 3 horas, nem em termos de ação, nem de quebra-cabeça. É claro que há uma variável importante aqui, que é a agilidade de cada jogador em controlar os dois irmãos ao mesmo tempo, pois nem sempre é fácil coordenar ambos com um controle. Mas considerando que tenha facilidade para isto, o jogo torna-se simples, e poucas vezes você irá coçar a cabeça e largar o joystiq para pensar numa solução. Mas se Brothers não é uma revolcução de jogabilidade (muito longe de ser ruim, para deixar claro), o que dirá a história?
  Como um conto de fadas, ele funciona bem, e apoiado pelo belos gráficos – muito mais variado do que Rain, e sem as irritantes narrações em forma de texto – torna-se uma bela experiência. Mas também não vai além em termos de narrativa: até o final, mesmo eventos imprevisíveis não tornam-se surpreendentes. Vejam que estou avaliando este jogo de um patamar elevado, com certeza entre uma das grandes surpresas deste ano; Brothers vai muito além do clichê, mas para este jogador, não causou nenhuma “explosão de cabeça”, aquela vontade súbita de ligar para algum amigo e dizer “você PRECISA ver este jogo, AGORA”.
 
 
 
  Por fim, o conjunto da obra em Brothers é muito bom, pois o jogo não é alongado artificialmente, mostra sua competência em trechos de enorme beleza gráfica e traz uma jogabilidade que é no mínimo diferente da maioria, e funciona bem. Ainda possui um número palpável de conquistas / troféus (12) o que pode gerar uma segunda rodada. Se ele não foi o jogo mais surpreendente do ano, com certeza é uma grata surpresa, e deixa na memória um agradável “sabor residual”, a sensação de uma grande aventura vivida. Por falar em sabor residual, abra um vinho, sente-se confortavelmente no sofá, e jogue Brothers em tarde chuvosa no fim de semana: a experiência vale a pena.
 
Disponível para PC, PS3 e Xbox 360.
Valor: ~ R$25,00.

[VÍDEO] Trailer da jogabilidade

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