“Rain” [PS3] – Análise

  Interessante como ao tentar acompanhar a maioria dos lançamentos, de todas plataformas, eu percebi a diferença de participar do “hype”: grande parte da empolgação vem de fazer parte de algo novo, colocar a mão em um produto nos primeiros dias após o lançamento, e saber que poucas pessoas definiram suas opiniões sobre ele. Um pouco da sensação de exclusividade. Mas também eu tenho percebido como é fácil deixar que a minha opinião seja levada por tudo que lemos / ouvimos, como acontece ao jogar Journey – em que eu já esperava uma grande experiência, e felizmente foi o que aconteceu.

  Com Rain, que eu finalizei ontem à noite poucas horas após ter comprado, foi diferente. Obviamente já haviam análises online, mas quando os créditos finais acabaram, fiquei questionando o que pensar da experiência. Então vamos falar sobre o que é Rain.
 
  Um garoto, de nome desconhecido, resolve encontrar-se com uma menina que aparece na sua janela, durante um dia de chuva. Ambos podem apenas ser vistos durante a chuva, ficam invisíveis em locais como marquises ou embaixo de pontes. Inicialmente a menina está fugindo de criaturas com as mesmas características – visíveis na chuva – e você vai tentar encontrá-la. A partir daí, a jogabilidade desenvolve-se apresentando novas mecânicas com o progresso, como ficar permanentemente visível após pisar em poças de lama, e outros. Há pequenos puzzles, nada muito complexo, e alguns bem clichês quando as duas crianças interagem – como abrir uma porta trancada pelo lado oposto da grade, dar apoio ao outro para alcançar uma plataforma mais alta, e outros. 
 
  Há também um elemento conhecido, o inimigo imbatível que o persegue pelo cenário, apesar de que na verdade todos os inimigos são “invencíveis” frente aos protagonistas impotentes, com exceção de alguns trechos, mas sem spoilers aqui.
 
  A jogabilidade também sofre uma mudança nos capítulos finais, mas basicamente o jogo é bastante linear, com puzzles que com certeza não atingem grande dificuldade. E aí está o ponto em que não sei exatamente se Rain erra ou acerta.
 
  O trabalho do Japan Studio traz lições de inúmeros jogos indie de sucesso: a chuva de Gone Home (mas aqui como elemento de jogabilidade), a procura por uma menina de Limbo, e um objetivo distante – a Lua – semelhante à montanha de Journey. Ao perceber estas referências, cabe ao jogo mostrar sua originalidade e diferenciá-las de mera cópia. Com certeza o fato de ser um jogo curto (aprox. 3h) contribui para que a repetição na maioria dos cenários, e a ausência de dificuldade (de modo geral, eu morri muito pouco) não sejam desvantagens: já que a proposta é fazer um jogo rápido, vamos permitir que o jogador passe por ele sem turbulências. 
 
  Graficamente Rain é muito bonito, e praticamente não percebi bugs visuais. Grande parte da experiência positiva vem da apreciação visual. A trilha sonora é muito bonita, com o primeiro trabalho de Yugo Kanno para os videogames. Com certeza contribui muito para enaltecer a beleza de Rain.

 

  Como a idéia de contar uma história ‘minimalista” já não é nova, e têm sido usada com frequência, achei que Rain poderia ter inserido mais detalhes durante o jogo, ao invés de deixar diversos pontos subjetivos, mas é aqui que a opinião dos jogadores pode variar imensamente.  Também é importante notar que ele corrige este aspecto – parcialmente – ao abrir um modo de jogo com colecionáveis, após o final. São lembranças do protagonista, e eu apenas comecei a coletar, mas parecem ser interessantes e podem mudar significativamente a opinião sobre o jogo. Só questiono se estes colecionáveis não poderiam estar presentes na primeira vez que joguei, e não como uma maneira artificial de criar o fator replay. 
 
  Durante toda a aventura, há uma “narração”, em forma de texto, que me incomodou bastante: já que existe a subjetividade da jornada do “menino”, Rain não deveria narrar quase todos os seus passos: há um excesso no uso destes textos, que servem como tutorial para os comandos, dica de como resolver puzzles, e muitas vezes explicam demais.
 
  Enfim, Rain possui seus defeitos, mas é um jogo interessante. Para uma aventura curta, tem um preço salgado – U$14,99 na PSN do tio Sam – e com certeza vai ser beneficiado pelas promoções da PSN Plus. Traz a premissa interessante de um garoto que só é visto na chuva, mas desenvolve pouco em cima disso: não é um excelente puzzle game, e a história não desenvolve-se o suficiente para compensar o valor da compra. Mesmo assim, se você interessou-se pelos belos gráficos e excelente trilha sonora, há o que se explorar e descobrir sob as gotas de chuva. 
 
  [VIDEO] Savepoint jogando Rain

 


Watch live video from Savepointcast on TwitchTV
[VIDEO] Trailer do jogo

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